ALUÍZIO, REPRESENTANTE DA MAIOR OLIGARQUIA DO ESTADO.

A política do Rio Grande do Norte sempre foi marcada pela hegemonia de famílias tradicionais revezando e dominando o Poder desde os tempos dos Maranhão. Destaque nesse contexto para as oligarquias Alves, sob a liderança de Aluízio, Maia, que teve no ex-prefeito de Natal, ex-governador do Estado e ex-senador José Agripino Maia o líder maior, e os Rosado com Dix-Sept, ex-governador, morto num acidente aéreo em pleno exercício do mandato. O sobrenome Mariz, com Dinarte à frente do clã, exerceu liderança por muito tempo na política do Estado. Dinarte, foi o personagem central da família, chegando a ocupar o cargo de governador e senador da República e a secretaria-geral do Senado, segundo cargo mais importante depois da presidência. Dinarte Mariz foi um dos políticos de maior prestígio no ciclo dos governos militares. Outros políticos do Rio Grande do Norte tentaram formar uma outra força, a exemplo do ex-senador Carlos Alberto e até Wilma de Faria, mas não conseguiram barrar o protagonismo das famílias naquele momento, que se dividiam e formavam outras alianças políticas circunstanciais para conquistar o Poder. Num passado não muito distante os Rosado digladiavam-se na busca do Poder, da mesma forma como Alves e Maia também estiveram divididos e em palanques diferentes em algumas situações e com os mesmos objetivos. O maior “especialista em briga familiar pelo Poder” é o ex-prefeito Carlos Eduardo, que afastou-se da família, inclusive do pai Agnelo Alves, para ficar ao lado de Wilma de Faria, então prefeita de Natal, pensando na prefeitura. Na eleição deste ano, Jaime Calado, que é casado com a senadora Zenaide Maia, duela com o cunhado João Maia em vários municípios do Estado, notadamente São Gonçalo do Amarante e Caicó, numa demonstração de que caminharão desunidos no pleito deste ano e em 2022 também. Existem evidências de uma aproximação de João Maia, do PL, com o governo Bolsonaro, enquanto Zenaide e Jaime devem subir no palanque da governadora petista, Fátima Bezerra. A senadora Zenaide, do Pros, pretende disputar o Governo do Estado caso a atual governadora não melhore nas pesquisa e decida optar pelo plano “B” sendo candidata à senadora, deputada federal ou deputada estadual. João Maia caminha para um entendimento com o prefeito Álvaro Dias (PSDB), onde está também o deputado Ezequiel Ferreira, atual presidente da Assembleia Legislativa, possível candidato a senador. Político habilidoso e bom articulador, Ezequiel não pretende mais ser candidato a deputado estadual. A desavença de Zenaide e Jaime (que também pretende ser candidato a deputado federal) com João Maia (candidato à reeleição de deputado federal), é uma prova de que as oligarquias do Rio Grande do Norte continuam brigando pelo Poder.

DEMOCRACIA

A democracia é um dos melhores regimes do mundo, desde que bem praticada, o que ainda não é o caso do Brasil. Nossa democracia é jovem e encontra-se em processo de mudanças. Em razão disso, existem equívocos e anomalias que certamente serão corrigidos no decorrer do tempo. Mas, para que isso ocorra é preciso o empenho de todos. O processo democrático brasileiro tem na liberdade o seu bem maior, permitindo aos cidadãos e cidadãs a iniciativa de livre expressão e o direito de opinar, reclamar, criticar e o de ir e vir. Desde que exerça tudo isso com responsabilidade, sem difamar nem atingir a honra alheia. A nossa nova democracia precisa de ajustes importantes, começando por uma Reforma Política para corrigir distorções, a exemplo do excessivo número de partidos políticos. São mais de 30, na sua maioria considerados de “aluguel”. Sem ideologia e sem identidade. Outros pontos de fundamental importância para a democracia, precisam ser suprimidos ou aperfeiçoados para que o regime dito “do povo e para o povo” sobreviva sem sobressaltos e sem arroubos de pessoas desavisadas e adeptas do “quanto pior, melhor”. Na Reforma Política, por exemplo, deve ser destinado um item obrigando os eleitos para cargos executivos a participarem de um curso intensivo sobre gestão pública antes de assumir o cargo. O objetivo, seria qualificar governadores e prefeitos sobre temas, como, gestão, administração pública, leis, orçamento, prazos, direito trabalhista e tributário, entre outros. Este tema, deveria realmente ser prioritário na agenda das reformas estruturantes em curso no País.

Fátima deve adotar “plano B”

A governadora Fátima Bezerra, do PT, certamente está elaborando um plano B para o pleito de 2022, já que sua reeleição fica mais complicada a cada dia. São vários fatores que se apresentam como complicador, contribuindo assim, para que o segundo plano da governadora seja efetivado. Primeiro, é a sua baixa popularidade “turbinada” pelos efeitos da crise da coronavírus onde ela não tem se saído bem, ao contrário do prefeito Álvaro Dias, que está conseguindo dividendos políticos significativos. Fátima, talvez mal aconselhada, foi omissa, como que terceirizando os problemas, enquanto Álvaro foi à luta, “dando a cara ao tapa”. O prefeito cresceu e Fátima definhou. A governadora, que é da ala sectária do PT, estabeleceu erradamente uma linha de ataques ao presidente Jair Bolsonaro no início da crise, mas recuou em seguida por ter chegado à conclusão que é uma estratégia errada criticar um adversário popular com altos índices de aprovação. Bolsonaro tem mostrado que não discrimina nenhum governador pelo fato de ser adversário, numa demonstração de que a forma retrógrada de fazer política está acabando no Brasil. O presidente está se dando bem agindo assim. A continuar o atual cenário de dificuldades a governadora, que faz uma administração convencional, mas “desarnou” politicamente, poderá não ser candidata à reeleição, optando por uma vaga no Senado, na Câmara Federal ou na Assembleia Legislativa. Já dizia o então deputado José Adecio, que “político sem mandato, só quem bate nas costas dele é o vento”. Partindo desse raciocínio, jamais Fátima Bezerra irá para uma aventura política. Outros aspectos que depõem contra sua reeleição, é a derrocada do PT em todo o País, que pode levar para o abismo candidatos petistas e o próprio líder da legenda, ex-presidente Lula, “morto” politicamente e execrado onde vai pelos malfeitos praticados por ele quando foi presidente da República. Ninguém quer mais o “ex-mito” no seu palanque. Quem diria: Lula, tornou-se um intruso, uma “persona non grata”, até mesmo entre petistas mais lúcidos. Tudo isso prejudica o projeto de reeleição de Fátima Bezerra, uma paraibana apaixonada por Lula que adotou o Rio Grande do Norte e se elegeu deputada estadual, deputada federal, senadora e governadora. Foi longe demais.

Bastidores da Sucessão

Foto: Reprodução / Internet

A sucessão em Natal continua em pauta nos bastidores da política partidária. Mudanças começam acontecer na lista de pretendentes à cadeira ocupada atualmente por Álvaro Dias. A mais recente é a desistência do deputado Walter Alves, do MDB, de ser candidato a prefeito de Natal nas eleições deste ano. O argumento é de que a prioridade do emedebista é cuidar das suas bases eleitorais com vistas a sua reeleição. Na verdade, uma candidatura do filho de Garibaldi a prefeito de Natal, constituía-se numa “ faca de dois gumes”, usando um ditado popular. O raciocínio é que mesmo ele não sendo eleito, mas tendo uma boa votação, Walter poderia ter ganhos eleitorais para sua reeleição, mas tendo uma votação pífia, ficando num quarto lugar na disputa, por exemplo, seria uma desmoralização para o filho do ex-senador, e certamente teria seu futuro político comprometido. Partindo desse raciocínio, Walter decidiu analisar e não seguir o conselho do presidente nacional do seu partido, Baleia Rossi, maior incentivador da sua candidatura a prefeito de Natal. O deputado André Azevedo, teve seu nome citado como pré-candidato a prefeito de Natal, mas ainda não decidiu se realmente será. Azevedo enfrenta pressões das suas bases no interior do Estado para não ser candidato. Querem que ele permaneça no exercício do seu mandato na Assembleia Legislativa, onde tem feito críticas contundentes à administração da governadora Fátima Bezerra. Sandro Pimentel, do PSOL, que havia anunciado sua pré-candidatura, desistiu da disputa e no momento luta para não perder o mandato de deputado, questionado na justiça por problemas na prestação de contas na última campanha eleitoral. O sistema comandado pelo prefeito Álvaro Dias continua protestando a aliança politico-eleitoral feita com o ex-prefeito Carlos Eduardo, principalmente a indicação de Aila Cortez para companheira de chapa de Álvaro. Integrantes do sistema do prefeito, inclusive vereadores da base do governo, entendem que o nome imposto por Carlos Eduardo, não soma, não agrega nem une, o que poderá ser um suicídio político para Álvaro Dias, caso ele permaneça insistindo com o nome de Aila. Segundo afirmam alguns insatisfeitos, não está descartada uma mudança na composição da chapa governista indicando um nome da confiança do prefeito Álvaro Dias e dos seus aliado, e não um preposto de Carlos Eduardo para ele continuar mandando na prefeitura.

Retorno virtual

A pandemia obriga a todos nós um longo período de isolamento social, mas também, mudança de hábitos e momentos de reflexão. Depois de mais de 30 anos exercendo a atividade jornalística, cheguei à conclusão de que não poderia ficar à margem do processo evolutivo da comunicação e decidi continuar escrevendo. Em respeito às minhas convicções e atendendo a pedidos de amigos continuarei presente, opinando semanalmente através do BLOG. Buscando sempre a verdade e a isenção.