Entendo diferente de setores da imprensa e das redes sociais quando afirmam não ter havido propostas por parte dos candidatos a prefeito de Natal no debate da TV Bandeirantes na noite desta última quinta-feira. Como, se não existia tempo suficiente para os candidatos apresentarem suas propostas? Esse tipo de formato de programa não funciona, e é um desrespeito ao candidato e a pessoa humana o pouquíssimo tempo destinado e as interrupções que deselegantemente faz a mediadora. Não existe tempo para nada, nem para perguntar, nem para responder. É louvável a iniciativa de qualquer emissora em promover debates com candidatos para que o eleitor analise as propostas de cada um, mas com esse modelo é melhor não fazer. Pior: irrita a todos, inclusive o telespectador, que a exemplo dos candidatos, sente-se chateado e impedido de conhecer as propostas para avaliar e decidir o seu voto. O debate de ideais e a apresentação de propostas pelos candidatos é fundamental dentro do processo democrático para que haja o voto livre e consciente. A Justiça Eleitoral ou a Reforma Política, que deve vir por aí, precisa arranjar uma maneira de mudar o formato desses programas de debates, que são cansativos e ineficazes. A continuar dessa maneira, todos saem perdendo: candidatos, eleitores e o País.
Herança Maldita
Existem dois “brasis” dentro do próprio Brasil: temos o Brasil real, verdadeiro, e o Brasil irreal, fictício. No Brasil real, grassa o desemprego, a fome, a ignorância, a violência, a intolerância, a desigualdade social…no Brasil irreal, tem desenvolvimento, pujança, educação, saúde, segurança. Essa é uma equação difícil de ser resolvida, objetivando buscar melhoria para a vida do povo em razão de um somatório de fatores: o tamanho do Território Brasileiro (praticamente continental) e o despreparo dos governantes aliados à falta de vontade política são os principais. O que se verifica, principalmente nos últimos anos, são falácias de bravateiros, a exemplo de Lula da Silva e Dilma Rousseff que foram os piores já vistos na historia recente. O conjunto da obra dos dois, deixou um legado de destruição para o sucessor Jair Bolsonaro. O pior, é que mesmo com os danos causados ao Brasil e ao seu povo, estão aí soltos, recebendo altos salários pagos pelo contribuinte brasileiro e com benesses do Estado, como assessores, carros e motoristas à disposição. Uma imoralidade, até quando? Chegou o momento da população se rebelar contra isso e exigir a retirada dessas mordomias concedidas aos dois ex-presidentes, uma destituída do Poder e o outro, investigado, julgado, condenado e recolhido durante pouco tempo numa cadeia que estava mais para hotel do que para prisão. Precisa mais? Os privilégios dados a eles, representam um escárnio ao povo brasileiro.
DECISÃO EXTEMPORÂNEA
O Brasil, realmente precisa ser repensado para se adequar à nova realidade que exige austeridade e contenção de gastos públicos que o País tanto precisa nesses tempos de crise aguda e agora de pandemia, afetando a vida de todo mundo, em particular brasileiros. Entretanto, não é assim que agem vereadores de Mossoró, pois acabam de aumentar a bancada na Câmara Municipal, passando de 21 para 23 senhores agentes públicos que se proclamam representantes do povo. Cada um recebendo 12.600 reais de salário, fora os penduricalhos. O argumento para aumentar a bancada é de que tudo está dentro da lei e que não haverá despesa adicional, já que o duodécimo repassado pelo Poder Executivo continuará sendo o mesmo. Mas, manda o bom senso que esse aumento de vagas poderia ser adiado para outra oportunidade, num momento adequado e oportuno. É a tal história: o aumento do número de vereadores de Mossoró é legal, mas imoral, principalmente nessa época de pandemia onde o dinheiro público deve ser direcionado para outras demandas. A decisão extemporânea é baseada em anúncio do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, constatando que a decisão tem como princípio o aumento populacional (dentro da lei). Outro tema polêmico, esse sim, deveria ser efetivado, é a extinção de pequenos municípios que não dispõem das mínimas condições para existir como ente público. Esses pequenos municípios não têm receitas próprias e vivem às custas do Governo Federal, mantendo toda uma estrutura perdulária, sem prestar, pelo menos os serviços básicos à população. O que se verifica, são prefeitos, vereadores e assessores recebendo dinheiro público sem a devida contrapartida. O presidente Jair Bolsonaro tentou extinguir alguns desses municípios, mas foi impedido pelo corporativismo dos prefeitos em conluio com deputados e senadores. Espera-se, pois, que o mal exemplo de Mossoró não seja copiado por outras Câmaras Municipais, Brasil afora, e que a extinção dos pequenos municípios que não têm motivos para continuar existindo, seja revista.DE

ALUÍZIO, REPRESENTANTE DA MAIOR OLIGARQUIA DO ESTADO.

A política do Rio Grande do Norte sempre foi marcada pela hegemonia de famílias tradicionais revezando e dominando o Poder desde os tempos dos Maranhão. Destaque nesse contexto para as oligarquias Alves, sob a liderança de Aluízio, Maia, que teve no ex-prefeito de Natal, ex-governador do Estado e ex-senador José Agripino Maia o líder maior, e os Rosado com Dix-Sept, ex-governador, morto num acidente aéreo em pleno exercício do mandato. O sobrenome Mariz, com Dinarte à frente do clã, exerceu liderança por muito tempo na política do Estado. Dinarte, foi o personagem central da família, chegando a ocupar o cargo de governador e senador da República e a secretaria-geral do Senado, segundo cargo mais importante depois da presidência. Dinarte Mariz foi um dos políticos de maior prestígio no ciclo dos governos militares. Outros políticos do Rio Grande do Norte tentaram formar uma outra força, a exemplo do ex-senador Carlos Alberto e até Wilma de Faria, mas não conseguiram barrar o protagonismo das famílias naquele momento, que se dividiam e formavam outras alianças políticas circunstanciais para conquistar o Poder. Num passado não muito distante os Rosado digladiavam-se na busca do Poder, da mesma forma como Alves e Maia também estiveram divididos e em palanques diferentes em algumas situações e com os mesmos objetivos. O maior “especialista em briga familiar pelo Poder” é o ex-prefeito Carlos Eduardo, que afastou-se da família, inclusive do pai Agnelo Alves, para ficar ao lado de Wilma de Faria, então prefeita de Natal, pensando na prefeitura. Na eleição deste ano, Jaime Calado, que é casado com a senadora Zenaide Maia, duela com o cunhado João Maia em vários municípios do Estado, notadamente São Gonçalo do Amarante e Caicó, numa demonstração de que caminharão desunidos no pleito deste ano e em 2022 também. Existem evidências de uma aproximação de João Maia, do PL, com o governo Bolsonaro, enquanto Zenaide e Jaime devem subir no palanque da governadora petista, Fátima Bezerra. A senadora Zenaide, do Pros, pretende disputar o Governo do Estado caso a atual governadora não melhore nas pesquisa e decida optar pelo plano “B” sendo candidata à senadora, deputada federal ou deputada estadual. João Maia caminha para um entendimento com o prefeito Álvaro Dias (PSDB), onde está também o deputado Ezequiel Ferreira, atual presidente da Assembleia Legislativa, possível candidato a senador. Político habilidoso e bom articulador, Ezequiel não pretende mais ser candidato a deputado estadual. A desavença de Zenaide e Jaime (que também pretende ser candidato a deputado federal) com João Maia (candidato à reeleição de deputado federal), é uma prova de que as oligarquias do Rio Grande do Norte continuam brigando pelo Poder.
DEMOCRACIA

A democracia é um dos melhores regimes do mundo, desde que bem praticada, o que ainda não é o caso do Brasil. Nossa democracia é jovem e encontra-se em processo de mudanças. Em razão disso, existem equívocos e anomalias que certamente serão corrigidos no decorrer do tempo. Mas, para que isso ocorra é preciso o empenho de todos. O processo democrático brasileiro tem na liberdade o seu bem maior, permitindo aos cidadãos e cidadãs a iniciativa de livre expressão e o direito de opinar, reclamar, criticar e o de ir e vir. Desde que exerça tudo isso com responsabilidade, sem difamar nem atingir a honra alheia. A nossa nova democracia precisa de ajustes importantes, começando por uma Reforma Política para corrigir distorções, a exemplo do excessivo número de partidos políticos. São mais de 30, na sua maioria considerados de “aluguel”. Sem ideologia e sem identidade. Outros pontos de fundamental importância para a democracia, precisam ser suprimidos ou aperfeiçoados para que o regime dito “do povo e para o povo” sobreviva sem sobressaltos e sem arroubos de pessoas desavisadas e adeptas do “quanto pior, melhor”. Na Reforma Política, por exemplo, deve ser destinado um item obrigando os eleitos para cargos executivos a participarem de um curso intensivo sobre gestão pública antes de assumir o cargo. O objetivo, seria qualificar governadores e prefeitos sobre temas, como, gestão, administração pública, leis, orçamento, prazos, direito trabalhista e tributário, entre outros. Este tema, deveria realmente ser prioritário na agenda das reformas estruturantes em curso no País.